Tempo de repactuar

Ao final deste ano, muitas empresas completarão 22 meses em processos de trabalho à distância, em sua maioria no chamado home office. Também uma grande parte delas já tomou a decisão de voltar em 2022 ao regime de trabalho presencial puro ou híbrido.


Em boa parte das empresas a decisão do afastamento foi tomada de forma centralizada e, frente a uma situação emergencial, implantada quase que imediatamente.


As pessoas foram para casa e depois foram se adaptando; lidaram com as dificuldades de local e móveis improvisados, internet de qualidade sofrível, crianças - filhos ou sobrinhos - tendo aulas virtuais e dividindo o acesso à internet e a atenção dos pais; a necessidade de fazer almoço para alimentar-se em casa. E mais, ausência dos colegas e do líder, falta de contato social, das conversas do cafezinho e aumento incrível do número de reuniões; relações entre clientes e fornecedores via internet. Enfim o trabalho invadiu de maneira inexorável o lar e exigiu uma capacidade de adaptação.


Houve ganhos também, sendo que nas grandes cidades o maior deles foi a economia de tempo de deslocamento entre a casa e o trabalho – ida e volta. Em metrópoles como Rio de Janeiro e São Paulo isso chega a significar 3 horas. Mas também certa flexibilização dos horários de trabalho; o uso de roupas mais informais que significou conforto e economia; o aumento do tempo de convivência familiar.


Agora, no momento de tomar a decisão da retomada as empresas que se preocupam de fato com suas equipes e com o ambiente de trabalho, considerando que dispõem de tempo para tomar e efetivar as decisões, estão ouvindo as pessoas, formal ou informalmente e criando opções de escolha entre trabalho só presencial, só home office e híbrido. Essa é uma medida que consideramos adequada e saudável.


Entretanto temos tido a oportunidade de conversar com clientes cujas preocupações vão além desses aspectos. Manifestam o interesse de estabelecer um novo pacto considerando as experiências vividas nesse período, bem como as necessidades organizacionais decorrentes e seus desafios futuros.


Temos então proposto a realização de encontros com a seguinte pauta: Que mudanças a pandemia provocou em nosso negócio e na forma de fazê-lo; O que aprendemos com o processo de trabalho à distância; O que ganhamos que não queremos perder; O que perdemos que desejamos recuperar; Quais os cuidados que devemos ter em nossos relacionamentos tendo em vista as diferentes escolhas de regime de trabalho que agora fizemos. Esse trabalho realizado com a participação de todos da equipe, de cada área ou da empresa dependendo do tamanho, possibilita uma reaproximação das pessoas, o reconhecimento das mudanças, das alegrias e dores e por fim a repactuação das condições de relacionamento no trabalho.


Assim, a ação permite incorporar os aprendizados do período, criando um ambiente de expectativas positivas para a retomada do trabalho presencial e do relacionamento em equipe.


Escrito por Ely Bisso – Sócio e Diretor da DorseyRocha Consultoria.

Engenheiro eletricista pela Faculdade de Engenharia Elétrica da UNICAMP, bacharel em Ciências Administrativas pela PUC-Campinas, com pós-graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho pela UNICAMP e MBA em RH pela FGV.

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