O que é "cringe" na Liderança?

Estamos vivendo nestas últimas semanas uma verdadeira batalha nas mídias entre as gerações como Baby Boomers, Millenials e Z Generation. Digo isso pelo diferente tom que percebi nas publicações, onde antes eram comentadas as principais características e diferenças entre elas, que seguiram com pitadas de farpas, críticas e, digamos, um certo espírito competitivo. Acho que foi a empolgação às vésperas dos Jogos Olímpicos, brincadeira, só que não, e a nova modalidade pouco esportiva foi entregar a medalha de “cringe” uns para os outros.


Cringe que pode ser traduzido do original como vergonhoso, constrangedor, ou como os mais jovens gostam de falar um verdadeiro “mico” que, acredito nenhuma geração deveria receber como adjetivo. O conflito inerente às diferentes gerações não é um tópico novo, todos nós iniciamos nossas carreiras um dia e enfrentamos o “status quo” existente da cultura de determinada época e nos colocamos como aqueles que estavam chegando para transformar tudo. Alguns de nós hoje já estão do outro lado da ponte se reinventando e ressignificando conceitos para não se tornar obsoleto, ou seja, “cringe”.


Esse ciclo da vida e renovação traz tantas possibilidades e oportunidades que fico me questionando o porquê nos rotulamos dentro de padrões e nos posicionamos contra outros? Porque nos protegemos frente aos desafios de trocar, de acolher e de multiplicar aquilo que pode ajudar a todos? Talvez a resposta esteja nos medos, inseguranças e fraquezas que temos frente ao novo e o desconhecido: uma herança que todas as gerações carregam consigo.


No mundo corporativo, onde as pessoas se encontram dentro dos seus papéis profissionais e as organizações buscam arduamente a diversidade, esses conflitos aparecem em detalhes e coisas sutis, muitas vezes veladas, e que dão contorno à cultura e às práticas de gestão e liderança.


Aí pensei comigo mesma, como será um líder cringe? Será que é possível não ser um deles, já que os Z Generation ainda não chegaram no poder?


Foi num texto muito bacana, melhor dizendo “da hora”, porque bacana é cringe, encontrei uma reflexão muito especial: Calma, existe a geração Perennials, que são aqueles que independente da data de nascimento são curiosos perante a vida, se conectam com múltiplas gerações, são autoconfiantes e humildes, são plugados e atualizados, engajados e respeitosos, aprendizes e contemporâneos, pois vivem o melhor do seu tempo e doam o melhor de si onde estiverem.


Por isso, ser um líder Perennial começa pela atitude de ir além da sua própria geração e da zona de conforto que te trouxe até aqui e não vai garantir um futuro de sucesso. Continua por compreender profundamente e agir na co-construção de uma cultura e ambiente onde os talentos do seu time possam se manifestar plenamente, e de ser aquele eterno aprendiz que faz as perguntas que trarão como respostas as melhores soluções e resultados de negócios, porque todos estarão na sua melhor versão.


Ninguém falou que seria fácil, nem que na sua vez tudo daria certo, mas com foco, preparação contínua, e com muita coragem, esse pode ser o melhor antídoto para não ganhar a tão temida medalha de cringe.



Escrito por Aliete Traviztki – Consultora da DorseyRocha Consultoria. Formada em Serviço Social e Mestrado em Filosofia Social além de Especialização em Recursos Humanos e MBA em Gestão Estratégica.

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