Conectar-se com o time

Em seu livro “Subliminar – como o inconsciente influencia nossas vidas”, Leonard Milodnow escreve: “A experiência de se sentir conectado aos outros parece começar muito cedo. Estudos com crianças mostram que, aos seis meses, já fazemos julgamentos pelo que observamos do comportamento social. Em uma dessas pesquisas, crianças observaram um “escalador”, que não era mais que um disco de madeira com grandes olhos colados no “rosto” circular, começar a subir uma montanha e tentar várias vezes sem conseguir chegar ao topo. Depois de algum tempo, um “ajudante”, um triângulo com olhos semelhantes, às vezes se aproximava por trás e ajudava o escalador com um empurrão. Em outras tentativas, um quadrado “estorvador” vinha de cima e empurrava o círculo de volta para baixo. Os pesquisadores queriam saber se os bebês, espectadores não envolvidos e não afetados, mostrariam alguma atitude em relação aos quadrados estorvadores. Como um bebê de seis meses mostra sua reprovação a um rosto de madeira? Da mesma forma que bebês de seis meses expressam desagrado social, recusando-se a brincar com ele. Ou seja, quando os pesquisadores deram aos bebês a oportunidade de tocar as figuras, eles definitivamente se mostraram relutantes em tocar os quadrados estorvadores, quando comparados aos triângulos ajudantes. Mais ainda, quando o experimento foi repetido com um ajudante e um bloco espectador neutro, ou com um estorvador e um bloco neutro, os bebês preferiram os triângulos amigáveis aos blocos neutros, e os blocos neutros aos antipáticos quadrados.”

Nós preferimos e tendemos a nos conectar, “brincar” com pessoas “ajudantes” e não “estorvadoras”.


Leonard também descreve que a neurociência mostra que a “dor social” (sentimentos feridos) está associada a uma estrutura do cérebro chamada córtex cingulado anterior – a mesma estrutura envolvida no componente emocional da dor física.


Lideranças “estorvadoras” e que provocam sentimentos feridos, pela forma como se relacionam e tratam as pessoas da equipe, pares, clientes etc., provocam uma resposta neurológica nos componentes da equipe (e não só neles) igual a provocada por dor/ ataque físico.


A resposta é reptiliana! Ataque ou fuga! E, como dizia um professor do meu MBA: “o sistema reptiliano tem a chave geral; ele desliga o sistema límbico e o córtex e assume o controle, até que a ameaça passe.”


Quando nossa energia está focalizada no processo de sobrevivência – seja atacando ou fugindo – a preocupação com o outro, com a colaboração e criatividade, buscar a melhor solução para problemas, atender de forma excelente ao cliente etc., ficam relegadas a segundo...ou nenhum plano.


Uma equipe sem segurança psicológica, que vive com medo das consequências do erro, da sugestão ridicularizada, da ameaça de demissão ou outra forma de punição, do humor imprevisível do gestor, focaliza toda a sua energia na sobrevivência, em franco prejuízo da construção e manutenção de uma equipe de alto desempenho, seja qual for a forma que se use para definir isso.


Se o gestor não percebe seu comportamento como gerador desse ambiente, tende a responsabilizar ainda mais a equipe pelo baixo desempenho, aumentando a pressão e piorando a situação.


Em tempos de interações virtuais, nas quais o fortalecimento de vínculos entre as pessoas do time se torna ainda mais desafiador, ter uma liderança lúcida, que percebe a necessidade de criar segurança psicológica e se pergunta o que pode fazer de melhor para contribuir com isso, é fundamental.


E você, é “ajudante” ou “estorvador” da equipe?


Escrito por Ismael Almeida Iba – Consultor da DorseyRocha Consultoria. Formado em Matemática com MBA em Gestão Empresarial pela FGV. Certificado em Coaching pelo ICI Integrated Coaching Institute. Professor na BSP Business School São Paulo.

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