No pós-pandemia, um novo momento para o agronegócio

As evidências da transformação da realidade no agronegócio são inúmeras, mas todas elas apontam para importantes mudanças em ao menos três áreas: a primeira não poderia deixar de ser a da tecnologia.

Cada vez mais a tecnologia torna o trabalho no campo mais sofisticado: seja pela facilidade na coleta e no acesso às informações com o uso de drones, robôs e inteligência artificial; seja pelo uso dessas mesmas tecnologias para a tomada de decisões; ou ainda pelas máquinas com tecnologia embarcada usadas para apoiar e realizar os processos de plantio, adubação, combate às pragas, colheita, preparação e armazenagem.

Todo esse avanço tecnológico provocou as mudanças na segunda área: a dos trabalhadores. A transformação é tão grande que já não faz mais sentido pensar e usar o termo “mão de obra”. Hoje o pessoal do agronegócio precisa estar preparado para lidar com uma realidade de informações e tecnologias de última geração. O operador de uma colheitadeira não é mais um motorista, mas um profissional que toma decisões recebendo informações da tela de um computador. Hoje, algumas vezes, e no futuro quase sempre, o profissional nem mesmo opera o equipamento, apenas acompanha a operação autônoma da máquina fazendo intervenções somente quando solicitado por ela. Assim, conhecimento e engajamento em relação aos objetivos do seu trabalho se tornaram mais importantes que força ou mesmo habilidades motoras.

Como consequência dessa segunda área de mudanças, chegamos à terceira área: a de liderança. O capataz que evoluiu para chegar a supervisor, precisa agora ser um líder. O campo, apesar de toda evolução acima descrita, tem aumentado sua demanda de pessoal. Profissional qualificado passou a ser assediado pelos concorrentes. Como os concorrentes oferecem condições de trabalho e níveis salariais relativamente próximos o tipo de liderança e a cultura organizacional presente começa a ser um diferencial importante para a escolha dos profissionais. Ao mesmo tempo, a evolução dos negócios, que em geral são familiares, com a chegada às posições de governança dos integrantes da segunda e mesmo da terceira geração, faz com que os próprios dirigentes sintam vontade e a necessidade de tornar seus colaboradores mais engajados, mesmo parceiros no negócio. Isso é claro desperta uma nova cultura empresarial. Um integrante dessa nova geração nos disse: “precisamos responder a nós mesmos: por que faz sentido levantar tão cedo e trabalhar arduamente?”. E completou: “não pode ser só pelo dinheiro, que talvez pudesse ser obtido mais facilmente em outra atividade.”.

Necessário apontar que apesar da sofisticação, a tecnologia se torna cada vez mais disponível e acaba não sendo diferencial competitivo. Por isso, algumas empresas do agronegócio saíram na frente e estão trabalhando aspectos da cultura e da preparação das lideranças para atuarem nesse novo contexto.

E sua empresa, em que estágio se encontra?

Ely Bisso – Sócio e diretor da DorseyRocha. WhatsApp 19 98882-7292

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